domingo, 27 de março de 2011

Poema molhado

É que cada gota de lágrima sua que cai,
é uma têmpera minha que se contrai.
Um agitar de lábios meus, a procurar
palavras perdidas, para te acalmar.
É um correr de braços meus, a querer parar
esse teu soluço, que não mereceis.
E cada gota de lágrima sua que cai,
põe em meus olhos outras, que eu chorarei.

Um poema feito para alguém muito especial que passava por um momento ruim, diante de mim!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A primeira semana

Só pra lembrar que o Teatro mágico alegrou e serenizou minha tarde de quinta feira..
Do sequinte modo:

A poesia está viva no Anitelli, na sua forma mais rústica e verdadeira!
Baixem o cd "O 2° ato"!  *.*

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ferreira Gullar

Muitas Vozes

Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido.

estamos todos nós
cheios de vozes
que o mais das vezes
mal cabem em nossa voz

se dizes pêra
acende-se um clarão
um rastilho
de tardes e açucares
ou
se azul disseres
pode ser que se agite
o Egeu
em tuas glândulas

A água que ouviste
num soneto de Rilke
os ínfimos
rumores no capim
o sabor
do hortelã
essa alegria

A boca fria
da moça
o maruim na poça
a hemorragia da manhã

Tudo isso em ti
se deposita
e cala.
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama
esses fosseis à fala.

Meu poema
é um tumulto, um alarido:
basta apurar o ouvido.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Hora do almoço!

13: 25 h
Hora de almoçar?
Tô aqui pra dizer que eu fiz um miojo delicioso, com ovos fritos, ralei cenoura e piquei meio tomate!
Eu vou almoçar sozinho, hoje. Contudo, não me sinto sozinho! = )
Amigos, vou comer pensando nos almoços de vcs!
: *


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Depois de um tempo sem postar, apareceu uma coisa que realmente vale a pena de ser publicada e eu não vou deixar essa passar não..
Um curta-metragem muito boniito, que mostra a luta cotidiana entre o amor e a solidão!


http://www.youtube.com/watch?v=uy0HNWto0UY

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O poetinha vagabundo

Porque a poesia é um retrato escrito da vida, que  serve pra guardar na memória o que a gente vê acontecer  todos os dias e, principalmete, o que a gente não vê..
Resolvi prestar uma homenagem ao Vinicius de Moraes, publicando um de seus melhores poemas.

Esse poema é muito bom!   *.*

O haver 

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo:
— Perdoai! — eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia de simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
E transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do Grande Medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do próprio reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.

sábado, 2 de outubro de 2010

Do amoroso esquecimento


Eu agora, que desfecho,
já nem penso mais em ti,
mas será que nunca deixo,
de lembrar que te esqueci?
                
                      - Mário Quintana