terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mais um conto, que em homenagem ao meu amigo Jarbas, eu gostaria de acrescentar: Não vai mudar nada na sua vida!

A fome

     Eu entro na porta e me sento: Boa noite. Lá vem a menina, sorrindo cansada.
     - O que vai querer?
     -Você - eu podia dizer, mas me contento com: - Um x-eggs completo, por favor.
     A garçonete se vira, eu queria saber mais sobre ela. Não queria sentir esse ar de falsa cordialidade entre nós. Não queria que ela me tratasse bem só porque sou cliente, queria que ela me tratasse como mereço e mereço pouco, já que não significo nada para ela, nem nos conhecemos. Eu queria significar. 
     - Vai querer mais alguma coisa?
     - Sim, um refrigerante - E depois de desperdiçar essa segunda chance de dizer o que realmente quero, começo a pensar como seria se eu respondesse "você", enquanto espero pacientemente que ela traga meu lanche.
     Eu como, esperando a hora de poder chamá-la de novo pra pedir a conta. Eu pago, esperando que ela venha me trazer o troco. Eu me viro e me vou, esperando sentir fome de novo.

4 comentários:

  1. É engraçado perceber que, deixando só o último parágrafo, a coisa muda de figura... hehe

    perspicácia pra penetrar no subconsciente!
    (que maldade!... maldade não, né binha? é a natureza.)

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